1) HISTÓRIA, ARTE E INVENÇÃO: NARRATIVAS DA HISTÓRIA

Coordenadores:
Dr. Edwar de Alencar Castelo Branco – Associação Internacional de Pesquisadores em Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa (AILPCSH)
Dr. Fábio Leonardo Castelo Branco Brito – Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Resumo:
Desdobramento de encontros anteriores, este simpósio se propõe a discutir questões referentes à escrita da História e, por consequência, às diferentes modalidades de abordagem do passado. Espera-se que os trabalhos desenvolvidos em seu âmbito favoreçam uma reflexão sobre as múltiplas estratégias através das quais nós, os historiadores, apropriamo-nos de objetos tais como músicas, filmes, impressos, fanzines e mídias digitais e, ao narrar, os transformamos em fatos históricos. Imagina-se que será possível reunir variados estudos incidindo sobre a narrativa histórica como uma das dimensões acontecimentais da história, bem como de seus desdobramentos nos campos as letras e das artes. Se a História é um discurso sobre o passado, o que torna possível repensá-la continuamente, os debates no interior do simpósio poderão ser, por um lado, articulados à ideia de que, entre “incertezas e inquietudes”, a História tende, crescentemente, a se abrir a novas referências temáticas, enquanto, por outro lado, ao se reconhecer como uma protoarte, a qual oscilaria entre os critérios de cientificidade e as exigências estéticas de seu discurso, a História poderia, finalmente, pensar sobre um “mundo verdadeiro das coisas de mentira” sem se sentir necessariamente à beira do precipício.

 

2) HISTORICIDADES NÃO-HEGEMÔNICAS

Coordenadores:
Dr. André da Silva Ramos – Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG)
Drª. Fernando Bagiotto Botton – Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
Drª. Maria da Glória de Oliveira – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Resumo:
Este simpósio temático pretende acolher trabalhos que tematizem a emergência de formas não-hegemônicas de experiência e articulação das historicidades que, sob o impacto das catástrofes humanitárias e ambientais ancestrais e contemporâneas, tensionam os fundamentos antropocentrados da história disciplinada e suas demarcações epistêmicas dos domínios do humano, infra-humano e não humano. No campo da teoria da história, tem se intensificado a demanda por reflexões com foco nas relações de diferença, alteridade e incomensurabilidade que envolvem corpos, afetos, formas de pensar o tempo e habitar os espaços, ontologias e cosmovisões, capazes de desafiar os cânones disciplinares das humanidades. Com o objetivo de ampliar tais discussões, propomos algumas questões norteadoras: (a) como as experiências da historicidade e os agenciamentos plurais dos sujeitos sob os marcadores históricos das subalternidades (raça, classe, gênero, sexualidade, territorialidade) impactam as concepções acerca do humano e de seus limites excludentes? (b) quais as relações entre os processos históricos de generificação/racialização e as formas coloniais/extrativistas de habitar o mundo? (c) é possível pensar a história e o conhecimento histórico para além de sua gramática humanista, a partir de uma perspectiva multiespécie, em que o humano não seja o protagonista exclusivo dos acontecimentos?

 

3) CÂNONES HISTORIOGRÁFICOS E A PRODUÇÃO DO NÃO LUGAR NO CAMPO HISTORIOGRÁFICO BRASILEIRO

Coordenadores:
Dr. Paulo Roberto de Almeida – Universidade Federal do Acre (UFAC)
Resumo:
Em historiografia, usamos o termo cânone historiográfico para designar o conjunto de obras, autores, temas e perspectivas considerados fundamentais ou exemplares na escrita da História em determinado contexto. De modo semelhante a um cânone literário, o cânone historiográfico funciona como uma seleção de referências tidas como obrigatórias ou paradigmáticas na disciplina de História. Ele delimita quais narrativas históricas são vistas como legítimas e dignas de serem ensinadas e transmitidas como parte do patrimônio intelectual da disciplina. De acordo com Michel de Certeau, a formação de um cânone historiográfico está intimamente ligada aos processos institucionais e culturais da disciplina, pois sua produção é condicionada ao lugar social do historiador e aos interesses da instituição a que ele está ligado. Assim, universidades, associações profissionais (como institutos históricos) e até políticas educacionais contribuem para consagrar certos autores e obras. Dessa forma, historiadores e narrativas que não fossem produzidos por autores clássicos/canônicos e que pertencessem a instituições hegemônicas no campo de produção historiográfica nacional como as localizadas na região Sudeste do país, ocupariam um “não lugar” na memória teórica e historiográfica brasileira. Ou seja, a definição do que constitui o conhecimento histórico por estes centros está atravessado por relações de poder por uma geopolítica do conhecimento que continua privilegiando matrizes epistemológicas marcadas pela branquitude, masculinidade e existência acadêmica de centros e periferias. Portanto, a persistência desta colonialidade do saber no campo teórico e historiográfico brasileiro demanda um escrutínio rigoroso das práticas de silenciamento que continuam a operar no campo acadêmico. Por isso, pretendemos reunir nesse Simpósio Temático trabalhos que pensem e narrem a história a partir de uma perspectiva decolonial, que destaquem a produção de intelectuais negros e negras, não negros e não negras, indígenas e textos historiográficos que não se situam nos cânones produzidos pelo Sudeste.

 

4) HISTORIADORAS NA HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA: TRAJETÓRIAS, PRÁTICAS DISCIPLINARES E DIVERSIDADE DE ESCRITAS DO PASSADO

Coordenadores:
Drª. Flávia Varella – Universidade Federal de Santa Catarina –(UFSC)
Drª. Rebeca Gontijo – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Resumo:
A presença de mulheres na produção de obras de história atravessa diferentes tempos e espaços, ainda que nem sempre tenha sido reconhecida pela memória disciplinar. No século I, por exemplo, Ban Zhao escreveu partes do Livro dos Han (Hanshu), contribuindo para a escrita da história da dinastia Han em um ambiente erudito de grande prestígio intelectual. Esse caso evidencia que a atuação de mulheres como historiadoras não constitui um fenômeno recente, ainda que frequentemente tenha sido marginalizado ou silenciado ao longo do tempo. Este simpósio temático parte desse pressuposto para reunir pesquisas, em diferentes estágios de desenvolvimento, que tenham como foco historiadoras, em qualquer contexto temporal ou geográfico. Interessa-nos, de modo particular, explorar a diversidade de formas pelas quais essas autoras se engajaram na escrita do passado — em obras eruditas, narrativas voltadas a públicos ampliados, textos didáticos, compilações, traduções ou outras práticas de mediação cultural — bem como as condições sociais, intelectuais e materiais que moldaram suas trajetórias. Ao propor esse espaço de encontro, buscamos ampliar a visibilidade dessas historiadoras, assim como fomentar o diálogo entre pesquisas que interrogam os limites, as fronteiras e os critérios que historicamente definiram quem pode ser reconhecido como historiador ou historiadora. A reflexão sobre o lugar dessas autoras no interior da disciplina histórica remete a questões mais amplas sobre o próprio estatuto do conhecimento histórico. Já nos anos 1980, Michel de Certeau chamava atenção para o problema da relação entre o sujeito que produz conhecimento e as formas de validação desse saber, ao levantar a possibilidade de que diferenças de gênero pudessem ser consideradas irrelevantes para a definição dos critérios disciplinares. Essa provocação abre caminho para interrogar os modos pelos quais tais critérios foram historicamente constituídos e naturalizados. Nesse sentido, os desdobramentos trazidos pela história das mulheres e pelos estudos de gênero, especialmente a partir das formulações de Joan Scott, evidenciam como noções como objetividade e neutralidade foram também atravessadas por relações de poder e por processos de exclusão. Ao longo da segunda metade do século XX, esse campo de estudos passou por um significativo alargamento.
Se, em um primeiro momento, esteve fortemente articulado a demandas políticas e à necessidade de visibilizar a atuação das mulheres no passado, progressivamente incorporou novas questões, ampliando seus objetos, fontes e abordagens. A noção de gênero como categoria de análise histórica contribuiu para complexificar a compreensão das relações sociais, permitindo examinar não apenas a presença das mulheres, mas também os mecanismos que estruturam desigualdades e hierarquias. Esse movimento teve impactos diretos na história da historiografia, que passou a revisitar seus próprios cânones e tradições interpretativas. Estudos como os de Bonnie Smith evidenciaram o caráter generificado das práticas historiográficas, enquanto, no Brasil, autoras como Maria da Glória de Oliveira têm chamado atenção para a persistência de silenciamentos e lacunas na memória disciplinar. Ainda que mulheres tenham participado ativamente da cultura letrada ao longo do tempo, sua presença como objeto de investigação sistemática permanece relativamente recente, o que reforça a necessidade de problematizar os critérios de seleção, consagração e transmissão do conhecimento histórico. Diante desse cenário, marcado por avanços e desafios, este simpósio temático busca promover o debate sobre historiadoras e suas obras, em diferentes contextos históricos e tradições intelectuais. Serão bem-vindas contribuições que abordem trajetórias intelectuais, bem como estudos sobre a produção, circulação e recepção de obras de história escritas por mulheres, além de investigações sobre a construção, a revisão e os limites dos cânones historiográficos. Interessa-nos, sobretudo, refletir sobre as formas de escrita do passado mobilizadas por essas autoras, os contextos sociais, intelectuais e materiais em que atuaram e os modos pelos quais seus textos foram produzidos, lidos e transmitidos, em sua pluralidade de experiências e condicionantes.

 

5) O ESPAÇO DAS IMAGENS, AS IMAGENS NA HISTÓRIA: PRÁTICAS, CONHECIMENTOS E EXPERIÊNCIAS

Coordenadores:
Dr. Luiz César de Sá – Universidade de Brasília (UnB)
Dr. Cássio Fernandes – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Resumo:
O Simpósio Temático “O espaço das imagens, as imagens na história” reúne pesquisas interessadas em investigar imagens a partir das modalidades de conhecimento em que estão inscritas, das práticas socioculturais de que participam e das experiências que as determinam. O ponto de partida adotado é o de que o sentido das imagens sempre se dá em situação, isto é, segundo coordenadas históricas e geográficas, epistemológicas e ontológicas precisas. Sua valência está atrelada a processos de mediação, frequentemente implícitos, que envolvem mecanismos de conhecimento, mas sobretudo paradigmas de reconhecimento das imagens – daquilo que podem significar ou das ações que podem deflagrar. Assim, longe de qualquer pretensão de buscar sentidos eternamente estabilizados para as imagens, nossa proposta é, portanto, pensá-las como artefatos enredados em situações nas quais entram em cena a desigualdade das relações de poder, as várias espacialidades do saber, assim como as agências dos intermediários que tornam toda interação com elas possível. São bem-vindas propostas de comunicação que discutam essas questões a partir de estudos de caso, históricos ou historiográficos, calcados em reflexões teórico-metodológicas, de modo que possamos pensar coletivamente não apenas nos problemas específicos que forem colocados, mas também num conjunto de estratégias de trabalho para dar conta do projeto comum de restituir a historicidade das imagens.

 

6) IMAGENS LOCAIS/VISUALIDADES GLOBAIS: CULTURAS VISUAIS, HISTORIOGRAFIA E USOS PÚBLICOS DO PASSADO

Coordenadores:
Drª . Ana Maria Mauad – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Dr. Francisco das Chagas Fernandes Santiago Júnior – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Resumo:
A proposta de Simpósio Temático abre um fórum para pesquisas capazes de indagar teórica e metodologicamente os recursos da historiografia para enfrentar a diversidade das culturas visuais, estabelecendo as correlações entre histórias locais e projetos globais. O Simpósio se ocupará, especialmente, da maneira como a historiografia trata do papel das imagens na composição da própria historicidade, ou seja, os diversos usos do passado que atravessam a sociedade e demandam interações mediadas com/por imagens. Desta maneira, serão recebidos trabalhos que discutam o papel de mídias visuais e performances intermediáticas que compõem a construção do passado, da historicidade e da temporalidade em diversos contextos. O debate sobre a visualidade e a cultura visual esteve entre os aspectos notórios do conhecimento histórico na perspectiva pós-colonial e decoloniais, tratando sobre o papel das imagens na construção das culturas imperiais e as formas de resistências de povos subalternizados, indagando tanto a colonialidade do visual e do ver (Alex Schlenker, Joaquín Barriendo), como projetando, nos conceitos de imaginação geográfica e histórias potenciais, propostos por Ariella Azoulay, diálogos com as contravisualidades (Nicholas Mirzoeff) construídas por culturas que se reconheçam como periféricas. Historiadoras e historiadores tratam desses temas há algumas décadas, convergindo as dimensões locais e globais das visualidades. A concepção plural de cultura visual é um campo objetal (conjunto de indagações sobre o papel das imagens na constituição histórica das sociedades) e um aparato teórico-metodológico, uma plataforma de observação (Ulpiano Meneses) para compreender o papel das imagens em contextos locais e visualidades globais. Se nos últimos anos, a história da historiografia tem se aproximado do papel das imagens na construção do conhecimento histórico, seja abordando a historiografia historicista alemã (Kathryn Maurer) ou a historiografia brasileira (Eduardo Wright Cardoso), ela ainda precisa problematizar as relações dos grupos sociais, instituições e da própria historiografia com as culturas visuais em contextos locais e globais, atenta às formas subalternas de usos do passado. Abre-se neste ST, a oportunidade para se discutir a história da historiografia em três sentidos: (1) uma história da história como disciplina que mobilizou e mobiliza as imagens nas suas matrizes disciplinares e narrativas, no níveis textuais, de fontes e diálogos com as práticas visuais. (2) Uma história do que os/as historiadoras/es fazem quando lidam com as práticas e dimensões visuais do passado em arquivos, museus, consultorias midiáticas, curadorias, produção fotográfica e audiovisual, ou seja, atuam nas diversas dimensões da história pública. Por fim, (3) a preocupação com as formas públicas de história produzidas por sujeitos e grupos sociais, especialmente, grupos subalternos, os quais mobilizam diversas mídias visuais para compor o passado e atuar no presente, ativando diferentes atitudes historiadoras.

 

7) Temporalidades em disputa: hegemonias historiográficas, subalternização e geopolíticas do conhecimento.

Coordenadores:
Dr. Hélio Rebello Cardoso Júnior – Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Drª . Maria Inês Mudrovcic – Universidad Nacional del Comahue – UNComa (Argentina)
Dr. Thiago Granja Belieiro Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Resumo:
Este Simpósio Temático parte de uma hipótese crítica: a historiografia não apenas estudou o outro; com frequência, também o produziu como; mediante operações temporais. Antes que um sujeito, uma comunidade, um território ou uma forma de vida sejam incorporados ao relato histórico, muitas vezes já foram localizados dentro de uma gramática que decide se pertencem ao presente, ao passado, à tradição, ao atraso, à sobrevivência, à periferia ou à exceção. A subalternização não ocorre apenas no conteúdo explícito dos discursos, mas também nas formas temporais que tornam esses discursos possíveis. Por isso, discutir temporalidades não significa simplesmente adicionar novos “tempos” ao repertório historiográfico, mas interrogar as condições sob as quais certos sujeitos são reconhecidos como plenamente históricos, enquanto outros são convertidos em restos, resíduos, objetos de tradução ou problemas de integração. Nessa perspectiva, o problema central não é apenas reconhecer a existência de temporalidades plurais, mas analisar como as gramáticas temporais hegemônicas organizam uma distribuição desigual de historicidade, autoridade e contemporaneidade. Categorias como progresso, atraso, desenvolvimento, modernização, transição, crise, contemporaneidade, arcaísmo, tradição, sobrevivência, periferia ou futuro não funcionam apenas como noções descritivas. Elas operam também como critérios de admissão ao campo do historicamente inteligível: definem quais experiências podem produzir teoria e quais ficam reduzidas a casos de estudo, memória ou folclore. O Simpósio dialoga diretamente com o tema geral do evento, “Geopolítica do conhecimento: as relações espaciais na Teoria da História e na Historiografía”, ao propor que toda disputa pelo tempo histórico é também uma disputa pelo lugar de onde se produz conhecimento. As temporalidades não circulam em um espaço neutro: são elaboradas, legitimadas e transmitidas a partir de instituições, arquivos, universidades e centros de autoridade. Por isso, interessa discutir a articulação entre hegemonias temporais e geopolíticas do conhecimento na constituição da historiografia. Serão bem-vindos trabalhos que examinem como certos discursos historiográficos, políticos, jurídicos, etc. situam determinados sujeitos fora da plena contemporaneidade. Contudo, o Simpósio não busca limitar-se à denúncia dessas operações. Interessa especialmente convocar propostas teóricas e metodológicas inovadoras capazes de interromper, deslocar ou reverter essas formas de subalternização. Buscamos trabalhos que ensaiem outros modos de conceituar, escrever e disputar a história.
Nesse sentido, o Simpósio acolherá pesquisas sobre temporalidades indígenas, afro- diaspóricas, feministas, ambientais, populares, camponesas, regionais e subalternas; sobre os usos públicos do passado, as políticas da memória, as disputas sobre o presente e os conflitos de reconhecimento; sobre cronologias imputadas, marcos legais, arquivos coloniais, silêncios documentais, políticas de evidência e autoridade historiográfica; sobre as relações entre corpo, raça, gênero, território, natureza/cultura e tempo; e sobre as tensões entre temporalidades estatais, comunitárias, científicas, ecológicas, religiosas, políticas e jurídicas; sobre a história digital como uma reflexão transversal sobre as especificidades da disciplina: como o digital articula passado, presente e futuro, arquivos, referências, autoria, interdisciplinaridade, entre outros conceitos importantes que legitimam a profissão, principalmente a partir da perspectiva da subalternidade e de uma história digital que desafia as temporalidades hegemônicas. O objetivo é reunir pesquisadores em diferentes estágios de sua formação — mestrandos, doutorandos e pesquisadores consolidados — interessados em refletir sobre as temporalidades não como meros objetos temáticos, mas como operadores historiográficos, políticos e epistemológicos. Ao articular temporalidades, hegemonias historiográficas, subalternização e a geopolítica do conhecimento, o Simpósio busca abrir um espaço de debate capaz de problematizar as linguagens herdadas da modernidade eurocêntrica e, ao mesmo tempo, imaginar formas de produção histórica mais atentas às assimetrias, conflitos e disputas concretas sobre autoridade, experiência e significado histórico. O objetivo é reunir pesquisadoras e pesquisadores em diferentes etapas de formação — mestrandos, doutorandos e pesquisadores consolidados — interessados em pensar as temporalidades como operadores historiográficos, políticos e epistemológicos. Busca-se abrir um espaço de debate capaz de problematizar as linguagens da modernidade eurocentrada e imaginar formas de produção histórica atentas às assimetrias e disputas concretas pelo sentido histórico.

 

8) HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA ACADÊMICA

Coordenadores:
Dr. Wagner Geminiano – Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Drª. Bruna Silva – Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro – PR)
Resumo:
Este Simpósio Temático (ST) tem como objetivo reunir pesquisadores interessados em refletir sobre a história da historiografia brasileira, notadamente aquela produzida a partir da reforma universitária e da criação dos programas de pós-graduação em História. O ST busca, assim, ampliar a reflexão sobre a emergência da historiografia acadêmica profissional no Brasil, sobre o ethos do historiador acadêmico universitário no país e as implicações desse lugar social e desse ethos para a escrita da História, para a construção de uma memória e de uma geografia disciplinares do saber histórico e, a partir disso, pensar quais são os futuros possíveis para a história da historiografia como área de pesquisa fundamental no interior do nosso campo. Trata-se, portanto, de reunir trabalhos de pesquisadores e pesquisadoras da historiografia brasileira contemporânea de feição universitária.

 

9) HISTORIOGRAFIA E PSICANÁLISE: DIÁLOGOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS

Coordenadores:
Dr. Alfredo Nava Sánchez – Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Dr. Yussef Campos – Universidade Federal de Goiás (UFG)
Resumo:
Este simpósio temático propõe uma reflexão crítica ampla acerca dos diálogos possíveis entre historiografia e psicanálise, com especial atenção às aproximações teóricas e metodológicas desenvolvidas nesse campo interdisciplinar. Partindo do reconhecimento de que o saber histórico tem sido interpelado por outras disciplinas ao longo do século XX e XXI, busca-se mapear e discutir como os encontros com a psicanálise contribuem para repensar os modos de construção do conhecimento histórico. Serão examinadas contribuições teóricas (de Freud, Lacan, Certeau, Ricoeur, entre outros) e sua ressignificação em práticas historiográficas que exploram a dimensão subjetiva, simbólica e inconsciente da experiência histórica. Nesse sentido, serão discutidos conceitos analíticos da psicanálise que possam contribuir para reflexões historiográficas contemporâneas e para abrir dimensões da prática historiográfica pouco exploradas. O ST acolherá trabalhos que dialoguem com categorias como inconsciente, transferência, trauma, fantasia, narratividade e temporalidade, aplicadas à reflexão sobre a escrita da história, o lugar do historiador e o tratamento das fontes.

 

10) EPISTEMOLOGIAS NEGRAS NA TEORIA E ENSINO DE HISTÓRIA

Coordenadores:
Dr. Yan Soares Santos – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Drª. Dayana Raquel Pereira de Lima – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Resumo:
Este Simpósio Temático parte do atual adensamento das críticas sobre o lugar epistêmico ocupado pela Teoria e Ensino da História, bem como da posição social ocupada pelas pessoas cuja produção historiográfica se volta ao debate epistemológico da História. Partindo das formulações críticas ao colonialismo, eurocentrismo e androcentrismo na produção de conhecimento, ou daquela que desgarra os movimentos sociais e artísticos-culturais enquanto ações políticas, artísticas e teorizações sociais , pretende-se dialogar com uma diversidade de insurgências e insubmissões da população negra no campo de suas Epistemologias, através da produção literária, fabulativa, historiográfica, filosófica, artístico-cultural, geográfica etc.. Provocamos o lugar epistêmico do Ensino de História a retorcer suas noções sobre a relação de sujeitos sócio-históricos com a temporalidade, a ampliação da concepção de fonte histórica, a relação entre racismo e arquivo histórico, o fazer-se de uma consciência histórica, as possibilidades e potencialidades de narrativas históricas e o ensino de História. Nosso objetivo é agregar investigações e provocações ao cânone epistêmico do Ensino e Teoria da História no questionamento daquilo que se tem a aprender com as Epistemologias Negras. Intencionamos, como bem ensina Iris Verena, “aprontar” na academia.

 

11) ACONTECIMENTO HISTÓRICO: FEIÇÕES, DINÂMICAS, TEMPORALIDADES

Coordenadores:
Drª . Livia Esmeralda Vargas Gonzáles – Universidade da Integração Latino-americana (UNILA)
Drª . Luísa Rauter Pereira – Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Resumo:
Se existe hoje algum consenso na literatura teórica acerca da relação entre acontecimento/evento e história, ele reside na percepção de que esse tema recebeu menos atenção do que sua relevância exigiria. A constatação é paradoxal. De um lado, nossa própria experiência do tempo parece inseparável do acontecer; de outro, a historiografia se define precisamente como uma reflexão sobre aquilo que aconteceu. Apesar disso, impressiona o contraste entre a centralidade do acontecimento na experiência histórica e na escrita da história e a relativa escassez de investigações voltadas às suas formas, temporalidades, funções e modos de significação. O acontecimento permanece, muitas vezes, como uma evidência tácita da prática historiográfica, mais pressuposto do que objeto de reflexão sistemática. Tal situação remete ao diagnóstico formulado por Michel de Certeau nas décadas de 1970 e 1980 acerca do problema do tempo na historiografia. Segundo o autor, a relação com a temporalidade ocupava um lugar decisivo na produção histórica, embora raramente fosse tematizada de modo explícito pelos historiadores. Algo semelhante parece ter ocorrido com a categoria de acontecimento. No entanto, assim como a questão do tempo passou, nas últimas décadas, a ocupar posição central nos debates da teoria da história e da filosofia, também o acontecimento vem sendo progressivamente recolocado no horizonte das discussões contemporâneas. François Dosse descreveu esse movimento como um “renascimento do acontecimento”, referindo-se à revalorização de uma dimensão histórica que, durante grande parte do século XX, foi frequentemente subordinada aos grandes processos estruturais e às permanências de longa duração. Em diferentes campos das humanidades, observa-se um retorno do interesse pelo caráter disruptivo, contingente e imprevisível dos acontecimentos. Filósofos como Alain Badiou e Slavoj Žižek chegaram a sugerir a emergência de um novo “tempo acontecimental”, marcado pela intensificação das incertezas políticas, econômicas, sociais e ambientais no início do século XXI. Fenômenos como os atentados de 11 de setembro de 2001, a crise financeira de 2008 e o agravamento da crise climática contribuíram para recolocar em primeiro plano experiências históricas associadas à ruptura, à imprevisibilidade e à transformação acelerada. Ao mesmo tempo, autores como Jean-Luc Marion e Claude Romano desenvolveram abordagens filosóficas centradas não mais prioritariamente em objetos, mas em acontecimentos, promovendo uma renovação importante da tradição fenomenológica. Também no âmbito historiográfico multiplicam-se pesquisas e reflexões dedicadas ao tema. A coletânea Afterlife of Events, organizada por Marek Tamm, por exemplo, chama atenção para as transformações na relação entre historiografia, memória e acontecimento a partir da consolidação dos memory studies nas últimas décadas. Já o dossiê Times of the Event, publicado pela revista History and Theory em 2021 e organizado por Theo Jung e Anna Karla, reúne contribuições voltadas à análise das múltiplas relações entre tempo e acontecimento, muitas delas inspiradas pela obra de Reinhart Koselleck. Nesse contexto, merece destaque ainda a contribuição do historiador e sociólogo William Sewell, que fez da noção de acontecimento uma ferramenta central para pensar o problema da transformação social, frequentemente secundarizado durante o auge do estruturalismo nas ciências sociais. A dificuldade em delimitar conceitualmente o acontecimento não é nova. Louis O. Mink observou certa vez que poucos conceitos seriam “menos claros” do que o de acontecimento. De fato, sob essa categoria podem ser reunidos fenômenos extremamente distintos: ações individuais de curta duração, catástrofes naturais, mudanças sociais graduais, experiências subjetivas, processos históricos retrospectivamente identificados, episódios memoráveis preservados pela memória coletiva ou mesmo ocorrências banais destinadas ao esquecimento. O conceito parece oscilar constantemente entre o singular e o estrutural, entre a ruptura e a continuidade, entre a experiência imediata e a reconstrução retrospectiva. As questões suscitadas por esse problema permanecem abertas. Como, afinal, dos acontecimentos emerge a história? A pergunta formulada por Droysen em meados do século XIX continua a desafiar a reflexão historiográfica contemporânea. Por que certos acontecimentos são reconhecidos como históricos enquanto outros permanecem invisíveis? Em que momento se define a historicidade de um evento: no instante mesmo de sua irrupção ou apenas retrospectivamente? Quem atribui significado histórico aos acontecimentos — os próprios agentes, os contemporâneos ou os historiadores posteriores? Como explicar a pluralidade de sentidos que diferentes grupos sociais, gerações ou tradições interpretativas conferem ao mesmo acontecimento? E até que ponto a própria historiografia participa ativamente da constituição do acontecimento como objeto histórico? A presente proposta de simpósio temático busca reunir contribuições voltadas a essas e outras questões situadas na intersecção entre história, historiografia e acontecimento. O simpósio pretende acolher trabalhos de natureza teórica dedicados às dimensões epistemológicas, conceituais e históricas da categoria acontecimento/evento, bem como reflexões sobre seus usos na teoria da história, na filosofia e na história da historiografia. Também serão bem-vindas pesquisas históricas sobre acontecimentos específicos, análises das dinâmicas de produção de sentido em torno de determinados eventos e estudos voltados às múltiplas formas de mobilização da categoria acontecimento na prática historiográfica e no discurso político e histórico-social contemporâneo.

 

12) FICÇÕES DA TEMPORALIDADE: DIÁLOGOS ENTRE HISTÓRIA E LITERATURA

Coordenadores:
Dr. Julio Bentivoglio – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Dr. Valdei Lopes de Araujo – Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Resumo:
A experiência do tempo constitui um dos problemas centrais tanto da historiografia quanto da literatura. Em diferentes épocas e tradições, ambas elaboraram formas narrativas destinadas a interpretar, representar e imaginar as relações entre passado, presente e futuro, mobilizando experiências de continuidade, ruptura, memória, duração, aceleração e de crise. Se a historiografia procura produzir inteligibilidade sobre o tempo histórico mediante operações de análise e escrita, a literatura frequentemente explora as dimensões sensíveis, imaginárias e especulativas da temporalidade, criando mundos possíveis que ampliam, tensionam ou interrogam os limites da realidade histórica. As relações entre historiografia e literatura suscitam debates fundamentais acerca da textualidade, da representação e da ficcionalidade. Se a literatura frequentemente incorpora materiais históricos, a historiografia igualmente mobiliza formas narrativas próximas ao romance, à tragédia, à épica ou mesmo à montagem fragmentária modernista. Em ambas, a escrita não constitui simples reprodução transparente, mas operação mediada pela linguagem, pela seleção, pela interpretação e pela construção textual. Nesse sentido, as fronteiras entre fato e ficção tornam-se mais complexas do que uma oposição rígida entre verdade e invenção, exigindo reflexões sobre os modos pelos quais diferentes discursos organizam a experiência temporal e produzem efeitos de realidade. Mais do que simples esferas separadas, história e literatura compartilham procedimentos narrativos, regimes de representação e formas de construção de sentido. Não raro, a literatura imagina passados, questiona o presente ou antecipa problemas históricos, projetando cenários capazes de revelar tensões latentes em determinadas sociedades. Distopias, utopias, romances históricos, ficções científicas, narrativas memorialísticas e experiências modernistas, entre outras formas literárias, não apenas refletem contextos históricos específicos com seus conhecimentos e experiências, mas também produzem horizontes de expectativa e modos de imaginar transformações sociais, culturais e políticas. Este simpósio temático acolherá trabalhos que investiguem as múltiplas relações entre historiografia e literatura, considerando questões ligadas à temporalidade, historicidade, memória, narrativa, textualidade, ficcionalidade e representação. Serão bem-vindas propostas que discutam autores, obras, conceitos, métodos, gêneros narrativos e problemas teóricos relacionados às aproximações, tensões e intercâmbios entre escrita literária e escrita da história, em diferentes contextos históricos e tradições intelectuais.

 

13) PENSAMENTO(S) NEGRO(S): ESCRITA DA HISTÓRIA E TEMPORALIDADE A PARTIR DO CAMPO DO PÓS-ABOLIÇÃO, DO PENSAMENTO NEGRO RADICAL E AFRO-INDÍGENA E DA HISTÓRIA PÚBLICA

Coordenadores:
Dr. Allan Pereira – Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
Drª . Fernanda Oliveira – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Drª . Mariléa de Almeida – Universidade de Brasília (UnB)
Resumo:
O ST Pensamento(s) negro(s): Escrita da História e Temporalidade a partir do campo do pós-bolição, do pensamento negro radical e afro-indígena e da história pública parte de uma premissa coletiva advinda tanto de elementos acadêmicos, como a emergência do campo de estudos do pós-abolição e da história pública, quanto de extra-acadêmicos, com especial atenção para a história pública que alcança grandes públicos e a mudança dos bancos escolares brasileiros a partir da lei de reservas de vagas para estudantes e servidores públicos. É sabido que a historiadora Beatriz Nascimento chamou a atenção para o lugar social do historiador, elemento este que aparece em uma série de pensadores aqui entendidos como expoentes do pensamento negro radical no Brasil e em outros países, como Eduardo de Oliveira e Oliveira, Sylvia Wynter, Cedric Robinson, Christina Sharpe, Saidya Hartman e Abdias Nascimento, por exemplo. Tais elementos mobilizam a proposta coletiva desse ST que busca abarcar pesquisas que problematizam quem escreve a história e as compreensões que emergem sobre o tempo;as fontes; os métodos; os usos do passado e as relações com os movimentos sociais em análises interpretativas nas escritas da história. Serão bem-vindos trabalhos com resultados, ainda que parciais, que aliem em suas análises marcadores sociais da diferença (gênero, raça, classe, etnia, sexualidade, etc.) e relações étnico-raciais, contemplando assim, também, a intelectualidade indígena, com especial atenção para o pensamento afro-indígena.

 

14) ACERVOS HISTÓRICOS E HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA – REFLEXÕES EM TORNO DE UM CONHECIMENTO CRÍTICO E MULTIDISCIPLINAR

Coordenadores:
Drª. Fátima Pires – Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Dr. Paulo Henrique Duque Santos – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB – Caetité)
Dr. Ricardo Alexandre Santos de Sousa – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB- Vitória da Conquista)
Resumo:
A pesquisa arquivística enquanto campo de estudos acadêmicos tem se expandido e sofrido grande renovação nas últimas décadas. Sobretudo no campo da história o acesso aos arquivos tem levado à produção de trabalhos com refinada consciência crítica. A historiografia brasileira não ficou alheia a esse movimento, o que levou a uma notável ampliação de acervos, frutos de investidas arquivísticas por parte dos pesquisadores do campo histórico. Tal movimento tem trazido para a discussão acadêmica uma série de questões levantadas a partir de fontes primárias em arquivos paroquiais, judiciais, criminais etc. e, também em locais pouco estudados a partir da documentação depositada in loco com é o caso dos sertões. Desse modo, o presente ST tem a intenção de reunir estudos cuja qualidade resida na renovação do nosso campo de conhecimento, tendo em vista essas articulações. Portanto, longe de eleger temas, lugares e períodos particulares, o nosso interesse é reunir pesquisadores, cujas contribuições remetam a revisões de noções historiográficas canônicas, que sustentaram certo mainstream no meio acadêmico, sem contestações basilares. Uma outra característica desses estudos, em geral, é a recorrência a campos disciplinares em diálogo com a história, atentos a epistemologias próprias, capazes de estimular reflexões no âmbito das humanidades.

 

15) ANTROPOCENO E HISTORIOGRAFIA: MUDANÇAS CLIMÁTICAS, HISTÓRIA AMBIENTAL E PERSPECTIVAS HISTORIOGRÁFICAS

Coordenadores:
Doutorando. Dikson de Almeida Freire – ProfHistória da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN)
Dr. Johnnys Jorge Gomes Alencar – Universidade de Pernambuco (UPE)
Resumo:
Temas como crise climática, sustentabilidade, cidadania ecológica, justiça ambiental ainda circulam em espaços muito restritos dentro da produção do conhecimento histórico, como apontam Jó Klanovicz e Alice Freyesleben (2024). Visando isso, Esse Simpósio Temático tem como ponto de partida o Antropoceno (Crutzen; Stoermer, 2000), e as discussões que implicam o reconhecimento de que as ações antrópicas na superfície do planeta Terra transformaram a humanidade em um agente geológico capaz de alterar o clima e as condições de habitabilidade do planeta. O reconhecimento de que as atividades humanas transformaram a humanidade em uma força geológica capaz de alterar o clima e as condições de habitabilidade do planeta impõe desafios significativos ao pensamento histórico. Tal condição exige da historiografia a articulação entre diferentes escalas temporais e espaciais, bem como a incorporação de agentes não humanos na compreensão dos processos históricos. Além disso, a crise climática tensiona categorias centrais da modernidade, como progresso, desenvolvimento, universalidade e experiência histórica, evidenciando desigualdades socioambientais, disputas de poder e diferentes responsabilidades históricas diante da degradação ambiental. Nesse contexto, o ST busca reunir pesquisas que dialoguem com os debates contemporâneos sobre Antropoceno, mudanças climáticas e crise ecológica, especialmente a partir das contribuições de Dipesh Chakrabarty, Zoltán Simon, Alice Freyesleben, Rodrigo Turin e Walter Lowande. Interessa ao simpósio acolher trabalhos que problematizem as transformações das temporalidades históricas, as relações entre humanidade e natureza, os limites epistemológicos da historiografia moderna, as narrativas sobre a crise climática, a emergência de agentes não humanos na escrita da História e os desafios éticos, políticos e historiográficos colocados pela atual crise ecológica planetária.