1) HISTORIADORAS NO BRASIL: FONTES, REFLEXÕES E PESQUISAS (SÉCULOS XIX E XX)
Ministrantes:
Drª. Daiane Machado – Universidade Estadual de São Paulo (UNESP)
Drª . Jeane de Melo – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA)
Resumo:
Este minicurso se organiza em torno de indagações que entrelaçam a história da relação entre as mulheres, a escrita da história e o exercício pleno do ofício de historiador a partir de uma perspectiva de gênero. No Brasil, a despeito da área de Teoria e História da Historiografia e de História Intelectual igualmente, apresentarem uma pungente e consistente produção, constata-se que a história das mulheres que escolheram a história como profissão ainda é insuficientemente estudada. São igualmente escassos os trabalhos que elegem mulheres como objeto de pesquisa quando se trata de historicizar a história da disciplina a partir de uma abordagem biográfica. É justamente buscando problematizar essa situação que propomos, a partir do estudo de trajetórias de mulheres de letras, intelectuais e historiadoras profissionais, contribuir para desnaturalizar e pluralizar nossa memória disciplinar. O amplo recorte temporal estabelecido (séculos XIX e XX) nos permite colocar em perspectiva como experiências de gênero inferem diferentes condições de possibilidade para a produção de narrativas historiográficas e para o exercício legitimado do ofício. Deste modo, iremos abordar, ao longo do minicurso, três eixos distintos e ao mesmo tempo complementares: a) as reflexões teóricas e metodológicas acerca das possibilidades epistêmicas envoltas na construção de uma História das Historiadoras; b) o levantamento das autoras e das obras históricas produzidas por elas, no período assinalado; c) o tratamento das fontes, as possibilidades de pesquisa e as resistências enfrentadas para a inserção das intelectuais na memória disciplinar.
Metodologia:
Considerando que os arquivos na História da Mulheres se materializam em fontes mais escassas, permeadas por déficits documentais, a discussão metodológica estará baseada nas práticas historiográficas (CERTEAU, 2002), nas relações entre o gênero e a escrita da história (SCOTT, 1995, 2024; SMITH, 2003; EPPLE, 2007; MELO, 2023) e nas possibilidades de uma mulher se fazer historiadora tensionando o cânone masculino.
Objetivos:
Geral:
Apresentar perspectivas teóricas e metodológicas acerca das relações entre o gênero e a escrita da história por meio de uma incursão panorâmica na produção feminina de obras históricas localizadas entre o período oitocentista e a segunda metade do século XX.
Específicos:
1 – Compreender os múltiplos modos pelos quais as mulheres de letras também se fizeram historiadoras nos oitocentos;
2 – Questionar o conceito de historiografia a partir de práticas historiográficas presentes na produção de biografias, memórias, romances históricos, poesia épica, dentre outros gêneros que tematizavam o passado na historiografia pré-universitária;
3 – Interpretar como as dinâmicas de gênero organizam a história acadêmica e influem na construção de carreiras de sucesso;
4- Perquirir a “partenogênese androcêntrica” do campo historiográfico brasileiro ao promover o deslocamento de uma “constatação resignada” para um diagnóstico ativo de recuperação e leitura das vozes historiadoras apagadas do cânone por meio das fontes e autorias.
Bibliografia:
CALDEIRA, Ana Paula; MARCELINO, Douglas. (orgs). Lugares e práticas historiográficas: escritas, museus, imagens e comemorações. Curitiba: CRV, 2021.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 1998.
CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2002.
COELHO, Nelly. Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras (1711-2011). São Paulo: Escrituras, 2002.
CORREA, Mariza. Antropólogas e antropologia. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.
CUNHA, Glória (org.). La narrativa histórica de escritoras latinoamericanas. Buenos Aires: Corregidor, 2004.
CUNHA, Glória (org.). Pensadoras de la nación. Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/ Vervuert, 2006.
DAVIS, Natalie Zemon. Women and the World of the “Annales”. History Workshop, n. 33, p. 121-137, 1992.
DAVIS, Natalie Zemon. Nas margens: três mulheres do século XVII. São Paulo: Cia das Letras, 1997.
DAVIS, Natalie Zemon. Genre feminin et genre littéraire: les femmes et l ́écriture historique (1400-1820). In: PELLEGRIN, Nicole. Histoire d ́historiennes. Saint-Étienne: Université de Saint- tienne, 2006.
EPPLE, Angelika. Gênero e a espécie da história. In: MALERBA, J. (org). A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006, p. 139-156.
EPPLE, Angelika.; SCHASER, Angelika (org.). Gendering historiography: beyond national canons. Frankfurt/N. York: Campus Verlag, 2009.
ERNOT, Isabelle. L’histoire des femmes et ses premières historiennes (xixe-début xxe siècle). Revue d’Histoire des Sciences Humaines, v. 16, n. 1, 2007.
ERNOT, Isabelle. Des femmes écrivent l’histoire des femmes au milieu du XIXe siècle: représentations, interprétations. Genre & Histoire, n.4, 2009.
FELSKI, Rita. The gender of modernity. Cambridge/London: Harvard University Press, 1995.
GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas e sinais: morfologia e história. São Paulo: Cia das Letras, 2007.
HANSEN, Patricia S.; OLIVEIRA, Maria da G. de. Corpos, tempos, lugares das historiografias.História da Historiografia, Ouro Preto, v. 16, n. 41, p. 1-15, 2023.
HAVELANGE, Isabelle. Des femmes écrivent l’histoire. Auteurs féminins et masculins des premiers livres d’histoire pour la jeunesse (1750-1830). Histoire de l’éducation, n. 114, 2007.
KASMER, Lisa. Novel Histories: british women writing History (1760–1830). Madison, WI: Fairleigh Dickinson University Press, 2012.
LHENRY, Sophie. Les enseignantes-chercheuses et la norme masculine de réussite. In: ROGERS, Rebecca, MOLINIER Pascale (org.). Les femmes dans le monde académique. Perspectives comparatives. Rennes: Presses universitaires de Rennes, 2016, p. 107-117.
LIBLIK, Carmem. Uma história toda sua: trajetórias de historiadoras brasileiras (1934-1990). Tese (Doutorado em História). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.
LOOSER, Devoney. British women writers and the writing of history, 1670–1820. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2000.
MACHADO, Daiane. Por uma “ciência história”: o percurso intelectual de Cecília Westphalen, 1950-1998. Tese (Doutorado em História). Universidade Estadual Paulista, Assis, 2016.
MACHADO, Daiane; MELO, Jeane. Historiadoras no Brasil: fontes, reflexões e pesquisas (séculos XIX e XX). Topoi (Rio J.), v. 26, p. 1-23, 2025.
MALEVAL, Isadora Tavares. O estabelecimento de um campo androcentrado para a história na França oitocentista: a “questão Dauriat” no Institut Historique de Paris. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 18, p. 1–26, 2025.
MELO, Jeane. Entre o magistério feminino oitocentista e a escrita da história na escola primária: a trajetória letrada da mestra Herculana Firmina Vieira de Sousa (1840-1880). Tese (Doutorado em História). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023.
MELO, Jeane. Mulheres letradas entre a história intelectual e as práticas historiográficas: breves considerações sobre produção feminina e a escrita da história nos oitocentos brasileiro.
BARBOSA, Silvana (org.). O lugar da mulher: gênero, agência e trabalho (séculos XVIII, XIX, XX). Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2023, p. 158-178.
MUZART, Zahidé (org.). Escritoras Brasileiras do Século XIX. RS: EDUNISC; Florianópolis: Editora Mulheres, 1999.
OLIVEIRA, Maria da Glória. Os sons do silêncio: interpelações feministas decoloniais à História da historiografia. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, v. 11, n. 28, p. 104-140, 2018.
PALETSCHEK, Sylvia. Opening up narrow boundaries: memory culture, historiography and excluded histories from a gendered perspective. In: EPPLE, Angelika; SCHASER, Angelika (orgs.). endering historiography: beyond national canons. Frankfurt; New York: Campus Verlag, 2009.
PELLEGRIN, Nicole (org). Histoire d ́historiennes. Saint-Étienne: Université de Saint- Étienne, 2006.
PERROT, Michele. Minha história das mulheres. São Paulo: Contexto, 2016.
ROIZ, Diogo; GONTIJO, Rebeca; ZIMMERMANN, Tânia (org.). As historiadoras e o(s) gênero(s) na escrita da história I: pioneiras nos estudos históricos brasileiros, v. 1, Campinas: Mercado de Letras, 2022.
ROIZ, Diogo; GONTIJO, Rebeca; ZIMMERMANN, Tânia (org.). As historiadoras e o(s) gênero(s) na escrita da história II: uma geração de pesquisadoras que consolidou os estudos históricos no Brasil, v. 2, Campinas: Mercado de Letras, 2022.
SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Bauru/SP: EDUSC, 2001.
SCHELL, Deise. “Baje usted la voz en sus discursos y en sus escritos”: Juana Paula Manso e as tentativas de silenciar uma mulher pública na Argentina oitocentista. Revista Eletrônica da ANPHLAC, v. 21, n. 31, p. 14-51, 2021.
SCHIMIDT, Rita. Na literatura, mulheres reescrevem a nação. In: HOLLANDA, Heloisa B. de. Pensamento feminista brasileiro: formação e contexto. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.
SCOTT, Joan. A fantasia da história feminista. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2024.
SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.
SILVA, Gabriela. As mulheres conferencistas nas Tardes no Instituto: gênero e história no Instituto Histórico e Geográfico brasileiro (IHGB). Embornal Revista Eletrônica. Fortaleza, vol. 9, n. 17, 2018.
SMITH, Bonnie. Gênero e História: homens, mulheres e a prática histórica. EDUSC: São Paulo, 2003.
SMITH, Hilda. Women Intellectuals and Intellectual History: their paradigmatic separation. Women’s History Review, v. 16, n. 3, 2007.
STEINBERG, Sylvie. & ARNOULD, Jean. Les femmes et l ́écriture de l’histoire, 1400-1800. Rouen: Universités de Rouent et du Havre, 2008.
VARELLA, Flávia. Por uma história da historiografia renovada pela perspectiva de gênero. In: MALERBA, Jurandir (org.) A história escrita: teoria e história da historiografia. 3. ed. Teresina: Cancioneiro, 2023, p. 341-351.
WOOLF, Virginia. Um teto todo seu. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2019.
2) PENSAMENTO FEMINISTA DECOLONIAL EM 3 ATOS
Ministrantes:
Drª . Ana Cristina Frias – Pontifícia Universidade Católica (PUC-RIO)
Drª . Manuela Fantinato – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Resumo:
Hoje, a História Intelectual se depara com uma série de desafios que foram colocados pelas discussões sobre o Antropoceno e por investigações que estão mais atentas aos marcadores de raça e gênero, levando o historiador a rever discursos, linguagens, expressões e correntes de pensamento. A proposta deste minicurso é destacar como o pensamento feminista decolonial contribui de forma significativa para a História. As teorias decoloniais estão ganhando espaço na academia, principalmente, com a leitura de autores masculinos, no entanto, intelectuais mulheres, como María Lugones, Rita Segato e Silvia Cusicanqui provocam reflexões sobre perspectivas femininas e generificadas que questionam o próprio fazer historiográfico. As três propõe uma ruptura radical de uma visão eurocêntrica e patriarcal, contribuindo para uma reflexão sobre a consciência histórica contemporânea e o status da disciplina. Através das discordâncias e dos diálogos que estabelecem nos seus trabalhos, essas intelectuais nos levam a realizar uma escuta ativa das margens, a desconstruir categorias coloniais de gênero e a analisar dinâmicas de violência e desumanização.
Conteúdo programático:
Aula 1: María Lugones e a colonialidade de gênero
Por meio do artigo clássico “Colonialidade e Gênero”, que María Lugones escreveu a convite de Aníbal Quijano, vamos introduzir as discussões colocadas em pauta pelo grupo modernidade/ colonialidade, de modo a refletir sobre as lacunas da falta de uma perspectiva de gênero, como proposto pela autora. A teoria da Lugones questiona a imposição das categorias binárias de gênero e as hierarquias raciais. Ao questionar “de onde vem tanta violência contra as mulheres?”, a intelectual argentina indica que há estratégias de poder generificadas que provocaram a subalternizações dos corpos, principalmente, dos femininos. Para Lugones, uma descolonização do saber não é possível se o ponto de partida for de categorias do pensamento ocidental, ela enfatiza a necessidade de ir além delas. Assim, para Lugones, precisamos desaprender para aprender.
Aula 2: Rita Segato e a estrutura da violência
A partir da leitura de “A Guerra contra as Mulheres”, a ideia é debater a violência como uma linguagem dominante que estrutura a modernidade, tendo o corpo feminino como espaço de colonização, apropriação e dessubjetivação. Segato destaca que o patriarcado “é o pilar, o cimento e a pedagogia de todo o poder, por causa da profundidade histórica que o torna fundamental e da atualização constante da sua estrutura” (SEGATO, 2016, p. 16). Com isso, ela mostra que o gênero é um elemento que dá significado as relações de poder e que a história dos homens sempre foi ouvida e escrita, já a história das mulheres foi cancelada, censurada e perdida. Desta forma, identificar o projeto histórico do patriarcado é reconhecer que a História também está diretamente implicada nesta ordem. A provocação de Segato destaca o quanto a questão de gênero é central para compreender como o passado e as experiências do presente são heranças de um passado colonial que se perpetuou através de diferentes formas de dominação e subordinação. A violência é uma característica intrínseca ao modelo patriarcal e essa violência moral, sexista e racista são práticas que permitem a esse sistema se reafirmar constantemente.
Aula 3: Silvia Cusicanqui e a resistência cinzenta
Ao utilizar como conceito a palavra Ch ́ixi da língua aymará, que significa cinza, Cusicanqui aponta a coexistência de opostos, que não se fundem, mas se complementam para formar uma sociedade plural, contraditória, que ao mesmo tempo é indígena e ocidental e tradicional e moderna. Para Cusicanqui, a descolonização se fundamenta na recuperação de memórias e de corporalidades distintas, através de um exercício constante de criação, de imaginação e de pensamento. O espaço-tempo da sua teoria decolonial emerge das culturas que sobreviveram e ainda sobrevivem na Cordilheira dos Andes e assinala: “como se a cadeia montanhosa andina tivesse uma força além do poder religioso e da própria nação para unir essas coletividades frágeis, que, como próprios países, estavam sempre ameaçadas por conflitos fronteiriços” (CUSICANQUI, 2025, p.40).
Bibliografia:
Chakrabarty, Dipesh. Provincializing Europe: Postcolonial Thought and Historical Difference. Princeton: Princeton University Press, 2000.
Cusicanqui, Silvia Rivera. Um mundo ch’ixi é possível: ensaios desde um presente em crise. Tradução de Gisele Ribeiro e Diogo de Castro Barbosa. Rio de Janeiro: Editora 34, 2021.
Cusicanqui, Silvia Rivera. Sociologia da Imagem. Olhares Ch ́ixi a partir da História Andina. Tradução de Carolina Cotta. São Paulo: Elefante, 2025.
Davis, Natalie Zemon. Decentering History: Local Stories and Cultural Crossings in a Global World. History and Theory, v. 50, mai. 2011, pp. 188-202
Lugones, Maria. “Colonialidade e gênero”. IN: Pensamento feminista – perspectivas decoloniais. Org:Heloísa Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2019.
Lugones, Maria. “Rumo a um feminismo decolonial”. IN: Pensamento feminista – conceitos fundamentais. Org: Heloísa Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2019.
Quijano, Aníbal. “Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina”. IN: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005.
Segato, Rita. As estruturas elementares da violência. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2025.
Segato, Rita. La Guerra Contra las Mujeres. Madrid: Traficante de Sueños, 2016.
3) A ESCUTA DA HISTÓRIA: SOM, ARQUIVO E REGIMES DE AUDIBILIDADE
Ministrante:
Dr. Leonardo Carneiro Ventura (UFRN)
Resumo:
Nas décadas recentes, o som tem se afirmado como um campo de investigação instigante para as ciências sociais e humanas, com a abertura de novas possibilidades para a análise histórica. Entretanto, sua incorporação como fonte e como problema teórico ainda enfrenta desafios, sobretudo no âmbito da teoria da história e da historiografia, tradicionalmente orientadas por regimes de visibilidade e textualidade. Este minicurso propõe discutir os fenômenos sonoros – dentre os quais, a música – como categoria de análise histórica, explorando suas implicações para a escrita da história e para a constituição dos objetos historiográficos. Parte-se da hipótese de que as sonoridades, para além de compor o tecido sensível das sociedades, participam ativamente da produção de sentidos, da organização das experiências e da definição de regimes de percepção historicamente situados. Ao abordar noções como arquivo sonoro e regimes de audibilidade, o curso busca oferecer ferramentas conceituais para pensar o som como dimensão constitutiva da experiência histórica. Nesse sentido, pretende contribuir para o alargamento das fronteiras da historiografia, incorporando dimensões sensoriais frequentemente marginalizadas.
Metodologia e objetivos:
O curso será ministrado por meio de aulas expositivas, organizadas em três sessões, com articulação entre discussão conceitual e análise de fontes históricas e registros sonoros. Objetivo geral: Apresentar o som como fonte histórica e como categoria analítica, explorando suas implicações para a teoria e a prática historiográficas.
Objetivos específicos:
– Situar historicamente a emergência dos estudos do som em diálogo com a historiografia;
– Discutir o conceito de arquivo sonoro e suas implicações ético-políticas e epistemológicas;
– Introduzir a noção de regimes de audibilidade como ferramenta analítica;
– Refletir sobre os desafios metodológicos da escrita da história a partir do som.
Conteúdo programático:
1a Sessão: Uma história dos estudos do som: situando historicamente os estudos sobre o som em sua interface com o fazer historiográfico.
2a Sessão: Arquivos sonoros. Relação entre arquivo e poder. A (im)possibilidade de cerceamento do som.
3a Sessão: Regime de audibilidades: uma noção para pensar a escuta em seu tempo.
Público-alvo:
Graduandos, pós-graduandos e pesquisadores interessados em teoria da história, historiografia e história da cultura sonora.
Bibliografia:
DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Rio de Janeiro: Relume- Dumará, 2001.
FARGE, Arlette. O sabor do arquivo. São Paulo: Edusp, 2009.
INGOLD, Tim. Quatro objeções ao conceito de paisagem sonora. In: Estar vivo. Ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis: Ed. Vozes, 2015
MORAES, José Geraldo Vinci de. Escutar os mortos com os ouvidos. Dilemas historiográ ficos: os sons, as escutas e a música, In Topoi Rio de Janeiro, v. 19, n. 38, 2018, p. 109-139.
OCHOA GAUTIER, Ana María. Aurality: listening and knowledge in nineteenth-century
Colombia. Durham: Duke University Press, 2014.
SCHAFER, R. Murray. Paisagem sonora. São Paulo: Unesp, 2001.
STERNE, Jonathan. The Audible Past: Cultural Origins of Sound Reproduction. Durham:Duke University Press, 2003.
VENTURA, Leonardo Carneiro. A trama dos sons: a invenção de um arquivo sonoro para o Nordeste (1910–1950). 2022.
VOEGELIN, Salomé. Listening to noise and silence: towards a philosophy of sound art. New York: Continuum, 2010.